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Transferências milionárias: O que aconteceu aos preços dos jogadores?

No dia 9 de Agosto de 2016, o Manchester United apresentava Paul Pogba como o seu reforço na altura, protagonizando assim a transferência mais cara da história do futebol, por astronómicos €105M.

Na altura a polémica foi instaurada, para muitos o valor era excessivo e com a excepção de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, nenhum outro jogador justificava tal quantia.

Várias foram as pessoas que opinaram sobre esta transferência, mas um comentário em particular marcou-me na altura e foi de Arsene Wenger, técnico francês do Arsenal: “É uma completa loucura e não se pode permitir. O futebol se converteu numa competição mundial e é por isso que os clubes pedem estas cifras. Se faz sentido porque o jogador pode retribuir essa quantia com sua chegada? Creio que ninguém pode calcular isso. Sempre pensei que existisse um limite em relação às cifras que podem ser alcançadas na contratação de um jogador, mas parece que enganei-me. Pode ser que daqui a uns anos cheguem a 200 ou 300 milhões”.

Não foi preciso esperar muito tempo, 12 meses depois, o PSG estava a quebrar novamente o recorde de transferências com a contratação de Neymar Jr. por escandalosos €222M. Afinal o Wenger tinha razão!

Eu não partilho da opinião de que foi a transferência de Paul Pogba que inflacionou o mercado, na verdade, o mercado já mostrava sinais de estar viciado antes disso. No mesmo ano, John Stones transferiu-se do Everton para o Manchester City por €55,6M e Gonzalo Higuaín já havia sido comprado ao Napoli por €90M pela Juventus. Um bocadinho antes disso, Kevin de Bruyne deixou o Wolfsbourg e assinou pelo Manchester City por €74M, Angel Di Maria trocou o Real Madrid pelo Manchester United por €75.6M e depois mudou-se para o PSG por €64M. Isto para dizer que, o mercado já estava a caminhar para a cifra dos €100M, naquela altura estes valores já eram considerados um absurdo e a tendência era aumentar.

A verdade é que a transferência de Neymar parece ter aberto a caixa de pandora. Agora tem sido normal aparecerem propostas astronómicas, nem que seja um simples rumor, não estás na moda se o valor não for um exagero. Hoje em dia, um clube grande dificilmente consegue encontrar um jogador abaixo dos €35M, nem que for para ser reserva.

Mas afinal, o que tem causado este aumento excessivo nos preços dos jogadores?

Provavelmente há várias teorias sobre isso, inclusive a lavagem de dinheiro, mas prefiro não entrar por aí. No meu ponto de vista, o futebol tornou-se num grande negócio (rentável, diga-se de passagem), ultimamente tem sido frequente ver alguns dos homens mais ricos do mundo ou um grupo de investidores tentarem adquirir equipas de futebol, para depois investirem nelas. Na maior parte das vezes não importa a dimensão desta equipa nem o escalão em que ela joga, num determinado espaço de tempo, ela tornar-se-à numa referência devido ao investimento feito (exemplo: RB Leipzig).

Como todo o investidor, eles esperam algum retorno. O retorno não precisa ser necessariamente dentro das quatro linhas, a venda dos direitos televisivos, venda de merchandising, a exposição, os patrocínios, todos estes itens tornaram-se numa máquina de fazer dinheiro.

Tomemos o Manchester City como exemplo. Antes da sua aquisição em 2008, era uma equipa de meio da tabela que oscilava algumas vezes entre a Championship e a Premier League. Depois do seu regresso à Premier League em 2002/03 a sua melhor prestação foi em 2004/05 quando terminou a liga em 8º lugar, mas isso não impediu o Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan de adquirir a equipa e investir nela. A aquisição foi concretizada no dia do fecho do mercado (1 de Setembro) e os novos proprietários não perderam tempo em mostrar o seu poderio financeiro, tendo feito propostas para a compra de David Villa, Dimitar Berbatov, Mário Gomez e Robinho, que foi o único que chegou a assinar com o clube. A intenção era clara, trazer super-estrelas ao clube que possam trazer melhorias nos contratos de patrocínio e não só. E a teoria acabou por funcionar, com jogadores como Edin Dzeko, Mario Balotelli, Sergio Aguero ou ainda David Silva, no plantel, o City conseguiu um contrato de £20M/ano, durante 6 anos com a Nike, rescindindo assim com a Umbro que pagava £4M/ano por 10 anos… Um incremento de 400%! Fala-se agora de um novo contrato para a próxima época, desta vez com a Under Armour, que irá ver os valores aumentados para mais próximo daquilo que as grandes equipas recebem.

Tudo isto é uma bola de neve, os direitos televisivos aumentam, mais turistas vão ao campo assistir os jogos, enfim, um acumular de benefícios que fará com que os proprietários continuem a procura dos melhores jogadores no mercado para continuarem a lucrar financeiramente nas diferentes áreas.

Equipas como o Manchester City, PSG ou Chelsea, por exemplo, querem estar na elite então investem em super-estrelas. Acredito que só esta época muitos de nós já assistimos mais jogos do PSG na liga francesa do que nos últimos 5 anos, tudo isso fruto da contratação de Neymar Jr. (e agora Mbappé). Além destes clubes, temos exemplos mais recentes de aquisições, casos de equipas históricas como o Parma, AC Milan ou ainda o Inter de Milão que querem voltar à elite do futebol mundial, submeteram-se ao poderio financeiro de investidores chineses e já começaram a contratar jogadores visando este objectivo.

Por outro lado, algumas equipas como o Barcelona, Manchester United ou Real Madrid, que são clubes emblemáticos e de referência, têm a “obrigação” de manter a sua veia vencedora, são obrigadas a vencer sempre, logo, são obrigadas a investir sempre, procurar pelos melhores jogadores e tentar incluí-los nos seus plantéis.

Florentino Pérez sempre foi apologista desta filosofia, segundo Steven Mandis, autor do livro The Real Madrid Way, a ideia é clara: ir ao encontro dos desejos dos sócios, fazer-lhes a vontade na medida do possível, na certeza de que retribuirão em dobro o investimento inicial.

“O génio de Florentino foi reconhecer que, enquanto produto de consumo, o futebol tinha de estar próximo dos valores dos adeptos, para que se produzam a paixão e a lealdade necessárias para comprarem equipamentos, para poder mostrar aos patrocinadores que os madridistas são fiéis. É isso que está na base da aquisição de jogadores que têm condição de estrelas”, acrescenta Mandis. [1]

Me empolguei e acabei por falar demais, resumindo: “dinheiro é capim” (como se diz na gíria), quanto mais clubes endinheirados houver, mais dinheiro para transferências haverá e mais inflacionado o mercado ficará, ou seja, mais caros os jogadores irão se tornar.

Veja abaixo a lista das 10 transferências mais caras da história do futebol:

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