A tecnologia ao serviço do futebol

A tecnologia ao serviço do futebol

- EmFutebol
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Os árbitros de futebol sempre tiveram um papel “ingrato” dentro do desporto, tudo porque muitas vezes têm a responsabilidade de decidir o futuro de uma determinada equipa. Humanos como são, estão sujeitos ao erro, erro este que muitas vezes não são tolerados pela equipa afectada ou pelo seu público.

Então, porquê não aproveitar o rápido desenvolvimento da tecnologia e usar para ajudar os árbitros a tomarem melhores decisões?

Este é um tema que originou grandes debates durante anos: de um lado estavam os mais conservadores, que defendiam que o erro faz parte do futebol e que parar o jogo para verificar o lance em uma tela iria diminuir o ritmo do jogo e tirava toda a emoção. Do outro lado, estavam os que defendiam que com tanto dinheiro envolvido nos dias de hoje é inaceitável não recorrer à tecnologia para ajudar a mitigar os erros, evitando que equipas perdessem o jogo injustamente.

Recordamos aqui dois lances que podiam ter sido evitados com o recurso da tecnologia e que provavelmente mudariam o rumo da história:

  1. Nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de 2010, na África do Sul, a Inglaterra perdia por 2-1 contra a Alemanha quando Frank Lampard chutou de muito longe. A bola acertou o travessão antes de atravessar a linha do golo no chão e voltar a sair, tanto o árbitro como o seu assistente não estavam em condições de validar o golo e a Alemanha acabou por vencer o jogo por 4-1. A tecnologia da linha do golo teria sido útil naquela altura.
  2. Um ano antes, Thierry Henry ajeitava deliberadamente a bola com a sua mão esquerda dentro da área da Irlanda, antes de cruzar para aquele que seria o golo que classificaria a França para o Campeonato do Mundo de 2010. Este incidente ficou conhecido como a “Mão de Gália” e que certamente seria anulado com o VAR.

O tempo passou e aos poucos a FIFA foi cedendo à pressão. Em 2012 o órgão que rege o futebol introduziu a tecnologia da linha do golo no Mundial de Clubes no Japão e em 2018 introduziu finalmente o VAR (Video Assistant Referee) no Campeonato do Mundo, realizado na Rússia. No dia 03 de Dezembro de 2018, o Comité Executivo da UEFA decidiu antecipar a introdução do VAR na Liga dos Campeões, assim sendo, o que estava para ser utilizado na época 2019/2020, acabou por ser implementado já nos oitavos de finais da presente época.

E não foi preciso esperar muito tempo para ver a tecnologia em acção e ajudando a decidir jogos. Quatro eliminatórias foram decididas com a ajuda da tecnologia, na passada quarta-feira 06 de março, o Manchester United foi ao Parc des Princes vencer o PSG por 3-1 (3-3 no agregado) e qualificou-se para os quartos de finais da Liga dos Campeões, graças à regra dos golos marcados fora. O golo decisivo veio de um penalti convertido por Marcus Rashford aos 94 minutos, depois do árbitro efectuar uma longa consulta ao VAR e considerar que Presnel Kimpembe usou indevidamente a mão dentro da área.

Imagens: GETTY/BTSPORT

No Santiago Bernabéu, os jogadores do Real Madrid ficaram furiosos quando o árbitro manteve o golo de Dusan Tadic, o terceiro do jogo, depois de outra longa consulta ao VAR. A equipa da casa alegava que o golo devia ser anulado porque a bola saiu do rectângulo do jogo.

“Não há provas conclusivas de que a bola estaria totalmente fora de jogo de todos os ângulos e imagens de vídeo que foram cuidadosamente analisados pelo VAR”, disse a UEFA. O Ajax acabou por vencer o jogo por 4-1 (4-3 no agregado) e qualificou-se para os quartos de finais da Liga dos Campeões.

Em Portugal, Cuneyt Cakir não viu o puxão de Florenzi na camisola de Fernando dentro da pequena área, depois de muita insistência por parte dos jogadores do FC Porto, o árbitro turco foi consultar o VAR e concedeu o penalti à favor da equipa portuguesa. Alex Telles não desperdiçou e carimbou a passagem para a fase seguinte da liga milionária. O Porto venceu por 3-1 (4-3 no agregado), com um golo no prolongamento.

A Juventus precisou do uso da tecnologia da linha do golo no Allianz Stadium para validar o segundo golo de Cristiano Ronaldo, que empatou a eliminatória. Embora Oblak tenha defendido o cabeceamento do avançado português, o árbitro não hesitou em apontar para o seu relógio, sinalizando que a bola atravessou totalmente a linha de golo.

Imagens: Marca

É importante referir que o VAR por si só, não decide nada, no final do dia, a decisão continua a ser do árbitro principal. O VAR é apenas um recurso para auxiliar o árbitro na tomada de decisão.

Creio que com os acontecimentos relatados em cima, podemos concluir que a tecnologia veio devolver alguma justiça ao futebol. Erros continuarão a acontecer mesmo com todos os recursos existentes porque, como já foi dito, quem toma a decisão final é o árbitro, com base nos critérios por ele definidos. O mais importante é que estes erros sejam mitigados.

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