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O que aprendemos com o segundo teste de Formula 1?

Decorreram novamente em Espanha durante a semana, os segundos testes de pré-época de Formula 1, com todas as equipas inscritas e desta vez com todos os pilotos inscritos (após o regresso de Pascal Wherlein que esteve ausente nos primeiros testes), a participarem do evento durante os 4 dias permitidos pela FIA.

Após ter acompanhado as equipas, pilotos, imprensa, e analisado dados recolhidos, chegamos as seguintes conclusões:

Mercedes continua forte, mas muito cuidado com a Ferrari

Após o piloto da Ferrari, Kimi Raikkonen ter colocado o tempo de 1:18.634s (que por sinal foi o melhor tempo dos 2 testes combinados), acreditamos que a Ferrari consegue ser ainda mais rápida do que mostrou, fazendo inclusive com que Lewis Hamilton na sua entrevista, mencionasse que no seu ponto de vista, a Ferrari  é a candidata ao título de 2017. Se está a ser uma jogada psicológica por parte de Hamilton ou não, o facto é que a Mercedes demonstrou não estar particullarmente confortável com algumas opções de pneus, apesar de que a diferença entre uma e outra em simulações de corrida é muito pequena, e acredita-se que a Mercedes poderá também estar a usar o carro com mais combustível para intencionalmente parecer estar mais lenta, quando realmente na Austrália irão mostrar o seu verdadeiro potencial. O facto é que se desta vez a Ferrari fez o seu trabalho de casa correctamente, poderemos voltar a ter um campeonato com mais de uma equipa a lutar pelos lugares cimeiros, e teríamos um campeonato mais forte. Acredita-se no entanto que as 3 primeiras equipas do topo tenham uma diferença de cerca de 1,5s em relação às outras equipas.

McLaren-Honda definitivamente está com sérios problemas

Com um total de apenas 217 voltas (-370 voltas que a Williams) conseguidas durante os 4 dias do segundo teste, colocando-os em último lugar no número de equipas com mais voltas, e com um número total de voltas combinadas dos testes 1 e 2 inferiores que o número total de voltas dada por uma equipa como a Williams apenas no teste 2, a McLaren identificou o motor Honda como o seu grande calcanhar de Aquíles.

Enquanto boa parte das equipas conseguiram fazer várias simulações de corridas, a McLaren basicamente não conseguiu fazer nenhuma simulação com mais de 10 voltas consecutivas. Alonso que acreditava no projecto McLaren-Honda, já parecia visivelmente mais incoformado com a ideia de que poderá ter mais um ano em um carro medíocre com o talento que ele tem como piloto, no entanto adicionou já que não será mais um mau ano que o fará desistir da Formula 1, enquanto ele acreditar e saber que ainda consegue travar mais tarde e acelerar mais cedo que maior parte dos pilotos da grelha.

Red-Bull poderá ter vários problemas com motores Renaults

Os motores da Renault poderão estar com tantos problemas de consistência que limitaram o progresso da Red Bull. Vários problemas foram acontecendo durante a semana, apesar de que com a sua maturidade comparada com a McLaren, os problemas foram sendo resolvidos regularmente. O tempo de 1m:19,438s de Verstappen foi bastante encorajador quando comparado com o tempo das Ferraris e Mercedes, no entanto, ao combinar o número de voltas dos dois testes efectuados, vamos notar que todos os carros com motores Renaults completaram um total de 1865 voltas, comparadas com as 2459 voltas dos carros com motores Ferrari, e 2681 voltas dos carros com motores Mercedes. Claramente os motores Renaults ainda não têm demonstrado fiabilidade para terminar corridas sem problemas, como as Ferrari e Mercedes, o que pode ser um factor decisivo no campeonato.

Williams poderá eventualmente vir a ser a terceira força

A Williams Mercedes poderá ser uma surpresa durante a época, tendo em consideração os dados que têm apresentado nos testes. A Williams tem sofrido uma grande remodelação em termos de estruturas, tendo recentemente enquadrado o conceituado Paddy Lowe na sua área técnica administrativa, vindo directamente da Mercedes como uma das principais figuras responsáveis pelo fortalecimento da Mercedes no que ela hoje é na Formula 1. Os tempos feitos por Filipe Massa fizeram com que o piloto da Red Bull, Daniel Ricciardo ficasse ligeiramente preocupado.

De acordo com Rob Smedley que já trabalha com Massa desde os seus tempos na Ferrari, os carros de 2017 são perfeitos para Massa com o seu estilo de condução, já que se tiver mais ação na parte frontal mas com uma retaguarda sólida, filipe consegue estar mais confortável com o carro e dar mais resultados como foi o caso da Ferrari de 2008 que quase foi campeão do mundo. Será que iremos ver um Filipe mais ousado e rejuvenescido?

No entanto, acreditamos que enquanto as outras equipas como é o caso da Red Bull ainda tenha muita margem para crescimento, a Williams esteve a mostrar já basicamente muito próximo do máximo que poderá trazer. Existe ainda o facto de que a Williams nos últimos anos demonstrou uma incapacidade em conseguir desenvolver o carro para a última parte do campeonato, algo que talvez com a entrada de Lowe, não será o caso.

Os arranques poderão ser uma lotaria

Esta semana muitos aproveitaram efectuar testes de partidas da grelha. Após análises das várias partidas de diferentes pilotos, e com os arranques controlados por computadores e sistemas electrónicos completamente modificados, é possível que durante o campeonato, haverá muitos pilotos que poderão ou ter arranques fantásticos e conseguirem vários lugares, ou terem arranques horríveis e perderem vários lugares.

Lewis Hamilton em 2016 teve várias corridas comprometidas no arranque porque não tinha o domínio desta parte tão bem como o seu colega de equipa, vamos ver como os pilotos comportam-se em 2017 neste aspecto, se bem que para o adepto, quanto mais imprevisível for, melhor para o show.

O meio da tabela está muito próxima

Várias marcas irão lutar no meio da tabela, com uma diferença entre elas de menos de 1 segundo. As equipas como a Williams, Toro Rosso, Renault, Force India e eventualmente a HAAS parecem estar todas elas muito próximas das outras o que traria uma luta provavelmente bastante mais interessante no meio da tabela, tanto durante as qualificações, como nas corridas em si.

Com exatamente 2 semanas para o início do campeonato do mundo de Formula 1, todas estas respostas deverão ser clarificadas na Australia durante a qualificação.

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