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Euro 2016 e o novo formato

Em Setembro de 2008, a UEFA anunciou que decidiu aumentar de 16 para 24 o
número de selecções participantes no Euro a partir de 2016. E assim foi, pela
primeira vez na sua história, o Campeonato Europeu de Futebol teve 24 selecções
na sua fase final.
Segundo o na altura, presidente da UEFA, Michel Platini, a intenção é dar a
países pequenos a chance de disputar o torneio continental e evitar que
selecções tradicionais fiquem fora do campeonato, como aconteceu com a
Inglaterra, no Euro 2008. Ainda assim tivemos selecções como a tradicional
Holanda que terminou num decepcionante quarto lugar na fase de qualificação e a
Grécia que não falha uma edição desde 2004, que não conseguiram qualificar-se.
Mas afinal de contas, o que nos trouxe este novo modelo?
Com este novo modelo, cinco selecções estrearam-se em fases finas da
competição. Albânia, Islândia, Irlanda do Norte, Eslováquia e País de Gales
dificilmente se qualificariam no modelo de 16 equipas, no entanto, a hipótese aberta
nesta edição impulsionou várias equipas que agora acreditam em mais presenças
no futuro.
No início, os critérios de classificação pareciam confusos (na verdade
ainda parecem), 6 grupos de 4 equipas cada, os dois primeiros classificados
apuram-se para os oitavos de finais. Isso perfaz um total de 12 equipas das 16
necessárias, é aí onde entram as contas, os 4 melhores terceiros classificados
completam os lugares vagos. Nunca um seleccionador ficou tão feliz por terminar
em terceiro lugar como agora, perguntem ao Fernando Santos.
Portugal foi o terceiro classificado de um grupo supostamente fácil, se
fosse no formato antigo, Cristiano Ronaldo e companhia teriam protagonizado a
maior decepção do Euro. Três empates foram o suficiente para Portugal passar de
fase, com este novo formato, passar de fase não pode ser visto como um feito
para a segunda linha de favoritos do Euro. Estatisticamente, para estas equipas
de segunda linha, existe uma probabilidade de 67% de passar de fase, ou seja,
ser eliminado na fase de grupos chega a ser vergonhoso.
Olhando por outro prisma, a última jornada será sempre bem disputada, uma
vez que o terceiro lugar poderá estar ainda em aberto. Com a possibilidade de
se apurar com apenas uma vitória, os jogos entre as equipas mais pequenas serão
disputados com maior fervor. E na verdade foi o que aconteceu, Portugal lutou
até ao fim para garantir o apuramento, a Albânia e a Turquia conseguiram a
única vitória na última jornada, na esperança de conseguirem a qualificação, ou
seja, houve jogo até ao fim.
Outro ponto a realçar é a indefinição dos oitavos de finais. Antes era
possível saber de antemão os prováveis adversários nos oitavos de finais, caso
ficassem em primeiro ou em segundo. Agora com a qualificação dos terceiros
lugares, tal só será conhecido após a última jornada da fase de grupos, o que
já não permite estratégias de “fuga” a candidatos. Mas isto fez com que os
principais candidatos ao título se enfrentassem entre si logo cedo, enquanto as
equipas supostamente mais fracas avançavam no outro lado. Foi chato ver, nos
oitavos de final, Itália vs Espanha de um lado e Suiça vs Polónia no outro
lado, por exemplo, mas isto é futebol e quem quiser ser campeão tem de vencer
os melhores.
Esperava-se que o nível competitivo do torneio caísse por ter muitas
selecções de pouco gabarito, pelo contrário, todas as selecções estreantes
tiveram um óptimo desempenho. Islândia e País de Gales protagonizaram as
maiores surpresas deste Euro, ninguém contava que elas chegariam aos
quartos-de-finais eliminando a Inglaterra e a Bélgica, respectivamente.
Chegaram como apenas mais uma equipa e saíram como verdadeiros guerreiros.
Por outro lado, apesar de ter mais equipas e consequentemente mais jogos,
este foi o Euro menos produtivo dos últimos 16 anos. A média de golos por jogo
esteve muito abaixo daquilo que estamos habituados, a última vez que esteve tão
baixo foi em 1996 quando se aumentou o número de participantes de 8 para 16
equipas. Goleadores como Ronaldo, Muller, Vardy, Lewandowski, Mandzukic ou Kane
estiveram apáticos em frente à baliza.

Existe uma outra teoria para o aumento do número de selecções… O dinheiro.
Alargar o Euro de 16 para 24 equipas implica dizer que a UEFA terá mais 20
jogos para vender. Quando falo em “vender jogos” não me refiro à venda de
bilhetes, este dinheiro não é nada comparado a venda dos direitos televisivos. A
UEFA não vende os jogos a retalho, quem quiser comprar, tem que comprar tudo,
isso inclui o Albânia vs Roménia ou Hungria vs Islândia, não tem como escolher
apenas os melhores jogos.
O Euro 2012 realizado em conjunto na Áustria e Polónia teve um lucro
recorde de cerca de 700 milhões de euros, este ano o lucro cresceu em 65%. O
dinheiro a distribuir pelos países participantes passou de 215 milhões em 2012
para 300 milhões em 2016, um crescimento de 40%.

Pois é meus caros, é muita massa.

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