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[Angola Vs Mali] A vontade, o querer e a crença

  orange No penúltimo minuto do tempo extra dado pelo árbitro o placard indicava Angola 4 Vs Mali 3, nesta altura eu só queria que o jogo acabasse, que acabasse um jogo que começou com muita festa e tremenda beleza; que fez Angola e os angolanos tocarem o céu antes e durante a maior parte do tempo de jogo, neste momento 90´+ 3´ o jogo ganhava contornos infernais e de péssima mémoria para os angolanos… E tudo se confirmou um minuto depois; no último minuto do tempo extra (90´₊4´) o avançado maliano Yattabare fez o impensável para os angolanos; marcou e empatou ao cair do pano, se um minuto antes o jogo parecia ganhar contornos de inferno; então quando Yattabare fez o golo do empate, confesso que desci tal como muitos angolanos aos confins do inferno e o estádio 11 de Novembro cheirou a enxofre, sim; senti o infernal e pesado cheiro de enxofre no último instante do jogo depois de ter tocado o céu durante pouco mais de 79 minutos… Ao espectáculo grandioso da inauguração do estádio 11de Novembro e da abertura do CAN, seguiu-se o jogo, que começou bem para a nossa selecção; e não podia ter começado melhor pois desde o primeiro minuto do jogo o público presente no estádio apoiou e aplaudiu incondicionalmente a nossa selecção; um apoio enorme e talvez nunca antes visto… os malianos ficaram no início da partida numa espécie de transe, desnorte em função dos apulpos que recebiam .E tudo melhorou aos 5´quando Flávio fez o primeiro remate da partida defendido pelo guarda-redes maliano nesta altura a equipa nacional crescia empurrada pelos espectadores e aos poucos ia tomando conta do jogo ,o Mali ficava cada vez mais ao nosso alcançe até que no minuto 35 Gilberto cobra um livre e Flávio marca o primeiro golo do CAN colocando em delírio uma nação inteira. Os malianos tentaram reagir mas estava cada vez mais difícil chegar a baliza angolana devido ao trabalho do meio campo da selecção nacional que depois da saída de Dedé ficou composto por Gilberto, Chara, Stélvio e Djalma. Chara esteve muito bem nas acções derecuperação de bolas, voluntarioso e sobretudo altruísta deu tudo de si em cada jogada que disputou. Aos 41´Flávio num movimento fantástico à ponta de lança antecipa-se a defesa maliana e conclui um cruzamento de Mabiná Angola vence por 2 a 0; Angola inteira exulta de alegria e satisfação. Daí em diante o Mali teve algum ascendente no jogo mas estava concluida a primeira metade do jogo. Uma primeira parte perfeita: a defesa não comprometeu Cali, Rui Marques e Zuela estiveram bem, Mabiná esteve bem tanta a defender como a atacar Gilberto foi simplesmente imperial no modo como segurou, pautou e distribuiu o jogo da selecção, esta última tarefa (distribuição de jogo) devia ter sido feita por Stélvio que na primeira parte nunca esteve no compasso dos colegas de equipa, tal como Manucho pareceu-me um pouco perdido no campo. Djalma, este sim acrescentou qualidade ao jogo por ser um jogador rápido e talentoso Flávio não desiludiu e esteve igual a si mesmo fantastico o placard podia ter sido Flávio 2 Vs Mali 0. O jogo recomeça com o Mali tentando mudar o rumo dos acontecimentos aos poucos Angola foi retomando conta do jogo e aos 67´Gilberto marca de penalti o terceiro golo de Angola e sete minutos depois novamente de penalti Manucho fazia o 4 a 0 para Angola.Tudo era perfeito tinhamos devolvido ao Mali os quatro golos que sete meses antes nos tinham eles vencido com igual resultado num amistoso. Neste momento perpassava por toda à gente presente no estádio uma agradável sensação de imponderabilidade; como se estivessemos a flutuar no espaço afinal era um sonho palpável. Havia confiança na vontade que os nossos jogadores tinham de vencer, no querer que é poder eles queriam e efectivamente puderam vencer o jogo e em cada angolano apoderou-se uma crença que parecia inabalável na vitória da nossa selecção, pensamos 4 a 0, a vitória está garantida até que aos 79 minutos Seydou Keita aproveira desatenção da nossa defesa e frango do guarda-redes Carlos e marca o primeiro golo do Mali nove minutos depois Kanouté, sim Kanouté, no seu porte engirafado , frio,altivo e elegante de grande jogador o que ele efectivamente é, faz o 4 a 2 até aqui tudo bem venciámos por dois golos de diferença mas depois! Depois… tudo aconteceu muito rápido e de repente aos 90´₊3´ outra vez Keita e um minuto depois; no último minuto do tempo extra aos 90´+ 4´ Yattabare desferia o golpe fatal, era difícil acreditar onde estava a vontade e o querer dos nossos jogadores, e agora? Agora resta apenas a crença do povo angolano -que ficou algo “estremecida´´ – de que os nossos jogadores podem, devem e vão dar à volta a esta situação e conseguir bons resultados nos jogos com as selecções da Argélia e do Malawi. É bom que assim seja porque ao contrário perderemos a crença e a esperança nos jogadores angolanos e no futebol da selecção nacional por muito tempo. *Assinado: Hélder Muxiri Vita *Um dos editores do Blog, que por motivos alheios a nossa vontade ainda não tem um login, mas estamos a resolver. Espero que tenham gostado da primeira crónica.

1 Comentário

  1. Anónimo

    22 Junho, 2010 at 7:05 pm

    isso È muito idiota !

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